23.03.22
Pode ser o amok ou o spleen, mas podemos tentar encontrar um termo na nossa língua Todo o humano dado à contemplação e ao ócio (virtudes antigas) a reconhece. Eu também. É uma mistura de torpor com lassidão? Também ocorre na versão sonolenta. Em O Desbaste do Bosque Tolstoi anda de volta dela. Ora é o soldado Velenchuk que sem ter bebido uma gota se sente atirado para o chão ( ela apoderou-se de mim) e lá fica, ora é o protagonista Nikolai Fiodorovitch que dorme o sono especial e pesado que se tem nos momentos de preocupação perante o perigo. E há também o oficial que discorre sobre o Cáucaso. Os escritores é que a sabem toda.
Seja como for é um estado defensivo. De hibernação. Como se quiséssemos fazer esperar o mundo. Pobres tolos nem damos conta da caganifância. E é um zingarelho adequado aos dias de moinho que vivemos. Uns cansados da guerra como Velenchuk, outros angustiados com o dia seguinte como Nikolai, vamos navegando nestas fatuitidades de dramas lambidos.
Tenho atendido pessoas que sem saberem são personagens desta divagação de Tolstoi. Não é bem depressão, não é bem sonolência, não é bem indiferença. Escolham vocês.