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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

16.04.22

Marie Bonaparte, bisneta de Napoleão, financiadora do movimento psicanalítico, aluna de Freud, orfã de mãe com um mês  de idade : o nosso sentido da passagem do tempo tem origem no sentido da passagem da nossa própria vida. Quem diz que o passado é inalterável não sabe o que diz. A Marie sabia o que dizia. Procurou a cura psicanalítica  para sua frigidez e até se  submeteu às cirurgias de um chanfrado-impostor, o  dr. Halban em Viena. Diz-se que foi ela a pagar o resgate aos nazis para Freud poder fugir para Inglaterra.

Regressemos ao osso. O passado é feito de duas categorias: o acontecimento e a  percepção do acontecimento.  Esta é perfeitamente alterável porque é sentida.  Um acontecimento ocorrido há vinte anos pode ser hoje sentido de forma tão diferente que passa a ser um acontecimento...novo. O que foi uma coisa terrível tornou-se numa banalidade, o que era um detalhe enevelhece mal e acaba por ficar guardado como uma desgraça. Uma zanga de  amigos, uma discussão com o pai, um amor perdido, o que quiserem.

Do ponto de vista psicoterapêutico este  passado sentido conta tanto como o outro. Talvez até mais: é o nosso passado.

 

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