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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

15.02.22

Já ouvi centenas de  justificações para divórcios. Todas excelentes e elaboradas. São como os fuzilamentos: ninguém se lembra de dizer que foi por causa de um mau almoço. Recordo uma transmitida  pela mulher, jovem, com uma bebé de um ano: Ele está sempre a ver programas de que eu não gosto e não me deixa ter o comando. É uma boa causa.

Há uma, no entanto, que nunca ouvi: o sexo era mau. E é notável porque  o que distingue um casal de um par de amigos ou de irmãos que vivem juntos é o sexo.

Quando falo de sexo falo de tudo: provocação, aggiornamento, evolução, privacidade. Sem  dar conta as pessoas vão perdendo a zona vermelha: dos cheiros, risos, pele, excitação. Isto faz com que o casal constitua  a comissão política apenas sobre a intendência: contas do gás, dentes das crianças, charros dos adolescentes, microondas avariado etc. Serão assuntos  importantes, acredito, mas  enredados numa lógica cooperativa semelhante à da vida profissional ou do condomínio.

O quarto ( ou equivalente) é o espaço conspirativo que ignora a lógica  cooperativa. O que lá se faz não paga contas nem garante boas notas ao filho cábula. O que lá se faz é anterior a tudo o que se faz depois. O abandono da subversão sexual é tão brutal que os casais nem se lembram dele na altura de justificar  a secessão.

 

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