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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

17.07.22

Eu queria era  ser dono de um bar-discoteca. Tinha tudo  o que era necessário, não tinha nada do que era exigido para outra ocupação. O proto-negócio, por alturas de 92/93, chegou a estar apalavrado: um rés-do chão com vista para  ao muro da penitenciária de Coimbra. O meu sócio era ( e é)  um grande amigo meu,  hoje abogado business em Lisboa. Enfim, fiquei psi e hoje nem na praia, como um velho detective, consigo despir a pele.

Estou pouco tempo. Chego, corro, nado, seco-me e vou para a esplanada ler à sombra e beber um fino. Coisa para uma hora mais ou menos. Ainda assim inspecciono a savana e existem  espécies que me fascinam sempre.

Um guarda-sol e um pára-vento, lancheira. Ele, um hipópotamo, está deitado de bruços, por vezes meio vestido, a roncar. Ela, uma lagarta das pedras, besuntada com qualquer coisa acastanhada repousa numa cadeira, pernas abertas e olhos fechados. Assim conseguem estar, imóveis e concentrados.Por vezes uma ou outra cria ranhosa atarefa-se com um balde e uma pá.

Outros animais dignos de observação. Pequena manada, machos e fêmeas, a composição varia entre três a seis indivíduos, à beira-mar. Estão horas nisto. Palram tanto que até as conchas mortas e vazias se afastam. Não fazem mais nada. Imagino-os a combinar a mesma reunião para o dia seguinte.

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