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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

18.03.22

Podíamos ir aos tempos do Independente de Paulo Portas e do MEC, mas vamos a outra loja.

Os espíritos como o meu não foram feitos para desenvolver os temas mas unicamente para inventar os títulos. Esta sentença de Alfonso Reyes ( Tres Diálogos, 1909) define com raça o funcionamento das mentes criativas mas também das práticas. É estranho, eu sei, a combinação nem sempre  existe. Há personalidades práticas nada criativas e, claro, gente criativa muito pouco prática. O que as une é  a capacidade de nomear.
Muitas sementes.  Titular uma acção, uma morte, um desejo, uma traição, coisas reais das vidas das pessoas. Não serve para nada?  Serve, serve...
Inventar títulos. Reparem. Reyes escolhe bem as palavras. Significa que criamos uma história dentro da história e titulamo-la. Umas partilhas azedas, uns e-mails  dúbios, uma quebra de confiança. Inventamos o título e vivemos  com ele. Este poder de nomear o real é prático porque nos dispensa de desenvolver a trama. Um exemplo: A mulher queixa-se diante do café esquecido - O que ele queria era uma tipa mais nova. O que depois a amiga difunde: O Renato fugiu com uma bielorussa.

A criatividade é menos  neurótica-reprimida. Também inventa títulos mas na linha maníaca: em vez de tentar dar respostas para os problemas inventa perguntas sobre os problemas. Outro exemplo? O do rapaz que olha para os pais-polícias e murmura: Por que é que não vivem a vida deles?

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