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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

20.03.22

O nome técnico é Transtorno Afectivo Sazonal ( TAS). O rótulo é todo um programa. O transtorno e a perturbação infectaram  a nosografia psi e  o afectivo vai de arrasto à sardinha. Enfim,  o povo e os médicos do povo  sempre falaram no cair da folha e no rebentar da folha. Poupemo-nos à descrição  perfunctória e avancemos: Sentes a mudança de estação?
Pertenço ao grupo dos que  reagem mal à mudança. Não pela mudança em si mas pelo processo. Por exemplo o período que antecedia  o início das aulas dos miúdos. Ou aquelas primaveras bizarras em que a noite ainda não chegou  às sete da tarde ( ou da noite?), mas chove e faz frio. Como eu muitas pessoas sentem o desconforto da passagem de ciclo... porque é uma  passagem.
É claro que o TAS, o verdadeiro, o da Bayer, bate mais forte. Seja como for o princípio é o mesmo.Talvez haja algo de natural nisto. Sentimos que o  ambiente muda  sem sermos ouvidos e que temos de nos adaptar. Confiro na clínica  que aqueles que também já passaram por situações terríveis e inesperadas são mais susceptíveis de sofrer da rebentação ligeira ou pesada do TAS. Não é necessário ser um psi para compreender. Se até as grandes mudanças anunciadas são duras ( divórcios, despedimento etc), as inesperadas e brutais são um gancho de direita; até porque estávamos com a guarda baixa, distraídos com a vida.
Como sempre a fórmula é presentificar. Projectar  para o  dia que ainda corre coisas que dependam da nossa vontade. Coisas boas ou coisas difíceis que tenham de ser feitas. O apaziguamento decorre da ilusão de que tudo muda, devagar, e  que temos algum controlo.

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