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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

04.05.22

Um dos piores  indicadores da situação de alguém é o estado da casa. Não me refiro às paredes ou à conservação do soalho. A nossa casa é, tem de  ser, o nosso refúgio. Já conhecem refrão estóico do amigo Marco Aurélio:  nunca tem bom vento quem não conhece bem o seu porto. Chegar depois de um dia de cão  a um sítio onde em regra  nos envolvemos em gritaria virulenta  ou em desprezo calculado é trilhar caminho  impérvio. 

Um antropólogo francês em moda nos anos 90, Marc Augé,  falava da retórica familiar: a nossa casa é onde não temos de dar justificações. Por ex, podemos andar de boxers ( sirvo já todos os géneros incluindo o  fluido). Isto é um dos lados. O outro é o do reconhecimento. Vivemos com conhece os nossos ritmos e vice-versa. Isto devia  proporcionar uma harmonia razoável. 
Bem sei que harmonia familiar é uma expressão que os neuróticos  mal-resolvidos e mal-amados  têm diabolizado desde os anos  60 a pretexto da liberdade contra a opressão familiar-burguesa. Como o resultado do alívio  de tamanha sarabanda foi um espectacular aumento do consumo de ansiolíticos e antidepressivos, incluindo já os dados anteriores à pandemia, concluo que tanto a asfixiante família tradicional ( que  a havia...) como a vesânia psi são más cidadelas.

Do que falo aqui é de uma coisa simples e inscrita numa ordem muito antiga: somamos muito mais do que somos individualmente.

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