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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

24.03.22

O desgaste que as crises ( do subprime à Covid19 e agora com a guerra na Ucrânia) provocam é outra montanha para rolar a pedra infinitamente. Homero imortalizou a tarefa e todos conhecemos o mito. A resposta habitual é  a intensificação dos vazadouros: irritabilidade, bebida, tabaco, drogas,isolamento etc. Como é natural a resposta só vai aumentar o  peso da pedra que temos de rolar montanha acima.
Sílio Itálico, tido a certa altura como  sucessor de Virgílio,  mereceu de Plínio o Novo o seguinte comentário ( sobre  o Punica): maiore cura  quam ingenio. É isto - mais transpiração do que inspiração - (numa tradução libertina) que acontece quando   ficamos cegos ao esforço inútil que dispendemos em resposta a uma necessidade não satisfeita.
O que há  a fazer é primeiro uma confrontação honesta com a nossa cegueira. Somos nós que nos estamos a tramar ainda que este  seja  um  mundo de carrascos. Depois aplicar o esforço nas coisas que nos podem salvar. Quais? Todas as que nos tornem melhores: sermos generosos, solidários ou pelo menos uns filhos da mãe  impecáveis. É que ao contrário de Sísifo não fomos castigados pelos deuses mas pelos homens, por isso  nada existe que não possa ser feito ou suportado  de outra forma.

 

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