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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

11.02.22

Forerindring, a dupla recordação, a invenção do amável Kierkegaard. Já a trabalhei  várias vezes nos  livros  e nos blogues.
Um casal de velhos junto à lareira. Ela lembra-se daquela vez em que quase contou ao marido que o tinha traído sexualmente quando eram novos.  Isto difere da memória  porque não é uma condição transitória como ele diz? Dá o exemplo da demência. É curioso que quando se instala  um défice cognitivo na velhice as memórias antigas são as últimas a cair. Talvez ele tenha razão.

Então o foreindring interessa-nos como técnica para organizar a memória e o  tempo. O dinamarquês  dá o exemplo de dois homens que recusam rever, por razões diferentes, um determinado lugar. Um deles pode ser motivado por  querer  re-recordar: manter a memória que organizou desse lugar. Tive essa experiência quando   trabalhei na casa onde nasci e vivi até ser adulto. Salas, quartos, paredes,  sons, cheiros: um mundo inteiro reapareceu, mas ainda consigo re-recordar essse mundo à luz da minha infância e não como espaço de trabalho.

Parece então que por vezes queremos recordar a recordação. O foreindring faz de nós argonautas criativos a traçar um percurso que já fizemos.

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