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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

23.03.22

Pode ser  o amok ou o  spleen, mas podemos tentar encontrar um termo na nossa  língua Todo  o humano dado à contemplação e ao ócio (virtudes antigas) a reconhece. Eu também. É uma mistura de torpor com lassidão? Também ocorre na versão sonolenta. Em O Desbaste do Bosque Tolstoi anda de volta dela. Ora é o  soldado Velenchuk que sem ter bebido uma gota se sente atirado para o chão ( ela apoderou-se de mim)  e lá fica, ora é o protagonista Nikolai Fiodorovitch que dorme o sono especial e pesado que se tem nos momentos de preocupação perante o perigo. E há também o oficial que discorre sobre o Cáucaso. Os escritores é que a  sabem toda.
Seja como for é um estado defensivo. De hibernação. Como se quiséssemos fazer esperar  o mundo. Pobres tolos nem damos conta da caganifância. E é um zingarelho adequado aos dias de moinho que vivemos. Uns cansados da guerra como Velenchuk, outros  angustiados com o dia seguinte como Nikolai, vamos navegando nestas fatuitidades de  dramas lambidos.
Tenho atendido pessoas que sem saberem são personagens desta divagação  de Tolstoi.  Não é bem  depressão, não é bem sonolência, não é bem indiferença. Escolham vocês.

 

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