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PERDER BEM por Filipe Nunes Vicente

30.06.22

Isto há-de ser desenvolvido num zingarelho para o qual me convidaram, por enquanto treino aqui. Estou a envelhecer por isso presto mais atenção aos velhos da clínica. O  consenso geral: envelhecer é horrível. Muletas, andarilho, memória fraca, dependência, corpo podre. Sim senhor, mas tem vantagens ( suspendam as pedradas).

Uma e  talvez a mais importante: de todas as coisas más que nos podem acontecer é a segunda  mais previsível. Na versão optimista, claro, que exclui acidentes na estrada, afogamentos e maladias avulsas. Ou seja podemos preparar-nos. Imagino um daqueles chavalos com que treino a armar o gancho da direita e eu a ver o cotovelo levantar-se, o ângulo recto perfeito com o ombro, o punho a descrever o arco fechado  e seco. Em vez de cair zonzo e perder mais um pré-molar executo e preparo a esquiva na maior e a palitar os dentes. Era bom era. Adiante. Da velhice não nos podemos esquivar mas podemos lançar uma âncora da saúde mental: aceitar.

Aceitar uma separação, uma morte ou  uma frustração de dez toneladas é um dos maiores testes à nossa massa mãe. Não significa desistência ou resignação, é passar a funcionar mesmo com uma derrota. E até,  imaginem, sentir um ou outro prazer no meio dos escombros.

O passado, as fotografias, o tempo irreparável...isso fica para o tal zingarelho. Um dia destes quando me sentir demasiado bem disposto chego a roupa ao pêlo (sem AO) à insolência.

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